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Contra-Ataque no Basquetebol

O jogo de basquetebol tem sido cada vez mais rápido e intenso, e uma grande “culpa” disso é a aposta no contra-ataque.

Mike D’ Antoni na época de 2004-05 “desenhou” um ataque chamada de “7 segundos ou menos” que originou um recorde de 62 vitórias e apenas 20 derrotas na época regular da NBA. Por isso, arrisco-me a afirmar que o basquetebol mudou completamente, as equipas perceberam que se tiverem uma maior velocidade, vai originar a um maior número de oportunidades para marcar cesto. Porém essas oportunidades não são oportunidades muito difíceis de concretizar.

O contra-ataque tem a particularidade de possibilitar oportunidades fáceis de concretização, com poucos defesas a contestar o lançamento ou até menos sem nenhum defesa a contestar o lançamento (situações de 1×0).

Como criar o contra-ataque?

Na criação do ataque de uma equipa, o contra-ataque tem que ser o primeiro tópico, não adianta definir as jogadas a meio campo sem definir os princípios da transição ofensiva. É como construir uma casa pelo telhado, provavelmente ninguém vai conseguir lá viver.

O contra-ataque começa na defesa

A melhor forma de sair em contra-ataque é ter uma boa defesa. Uma boa defesa vai originar perdas de bola do adversário ou lançamentos difíceis que provavelmente serão falhados e resultarão num ressalto defensivo. Por outro lado, uma perda de bola ou ressalto defensivo faz com que a equipa possa sair com vantagem numérica para o ataque, daí começar o contra-ataque.

Decidir quem acelera o jogo

Um passo bastante importante é decidir quem acelera o jogo, ou seja, à recuperação da bola, o que é preferível? O primeiro jogador que tenha a bola na mão acelere para o ataque ou passar a bola ao base para a equipa sair em contra ataque. Ambas as escolhas têm aspetos positivos e negativos, se a escolha for qualquer jogador correr com a bola, a equipa poderá perder algumas posses de bola mediante a qualidade de drible e passe que o jogador que estiver a correr tenha. Por outro lado, poderá ter mais situações reduzidas, 1×0, 2×1, 3×2.

Caso a escolha seja passar a bola ao base, a equipa será mais lenta na transição pelo que não terá tantas situações reduzidas quanto isso, mas sim situações de 3×2, 4×3 e 5×4.

Por outro lado, o número de perdas de bola em transição será muito menor porque teoricamente o base será muito mais capaz de levar a bola em contra-ataque sem a perder.

Instalar uma mentalidade de contra-ataque

Uma equipa para ser considerada um perigo na transição ofensiva precisa de ter uma mentalidade de contra-ataque. Estamos numa altura onde se joga o march madness e os principais programas que chegam às fases finais têm uma coisa chamada cultura e princípios. Uma equipa para ser uma arma letal no contra-ataque precisa que na sua cultura de jogo, o contra-ataque está bem lá presente.

Um princípio básico será o RO/S – Rápido, Organizado mas Seguro, é fundamental que uma queira no contra-ataque ter um lançamento fácil e para isso terá de ser rápido, organizado, mas com segurança na decisão que será tomada.

Passe em vez do drible

Um dos erros bastante comuns na transição ofensiva é o uso excessivo do drible, os jogadores insistem na utilização do drible. Porém se o passe for acertado, o contra-ataque flui muito rápido porque a bola percorre o campo muito mais depressa, apanhando a defesa totalmente desprevenida.

Organização

Como abordado anteriormente no instalar uma mentalidade de contra-ataque, a organização desempenha um papel chave numa transição ofensiva.

Para que haja organização, é preciso definir quais os papeis de cada jogador no contra-ataque, que jogador corre e por onde corre? Ou seja, a definição da ocupação dos corredores aproveitando o maior espaço dentro de campo. Quanto melhor organizado for o ataque com mais segurança os jogadores poderão tomar decisões, caso contrário, os jogadores estiverem a “monte” o número de perdas de bola será gigante.

Provocar situações com vantagem numérica

O contra-ataque como explicado no inicio do artigo serve para criar situações de finalização fácil e com a defesa desorganizada. Então os jogadores têm de estar preparados para provocar essas situações de vantagem numérica.

Porém será muito raro em que as equipas que saem em contra-ataque tenham situações de 1×0 contra uma equipa que defenda bem, portanto os cenários de transição ofensiva serão essencialmente de 2×1, 3×2, 4×3 e 5×4.

Utilizar dribles penetrantes

Nem sempre nas situações de transição ofensiva existirá um jogador à frente da bola, numa posição melhor do que o jogador que tem a bola para poder assistir.

Deste modo os jogadores serão “obrigados” a criar situações para aproveitar a vantagem numérica, nesta situação é muito importante que recebam a bola em movimento e possa atacar o cesto em movimento sem perder a velocidade.

Colocar a bola na pintura

A única forma de obter finalizações fáceis é debaixo do cesto, a probabilidade de um jogador marcar debaixo do cesto é sempre maior do que longe do cesto.

Por isso é crucial que no contra-ataque as equipas ataquem “a pintura” seja com um jogador corra de cesto a cesto pelo meio a pedir a bola ou um extremo que esteja em corrida e possa atacar o cesto facilmente.

Fluir a transição ofensiva ao ataque posicional

Uma aposta muito comum das equipas são os chamados ataques transição. Ou seja, sempre que não conseguem criar uma oportunidade de cesto rápida, as equipas aproveitam a velocidade e a intensidade do contra-ataque para criar uma oportunidade cesto em 5×5. Desta forma a equipa que ataca não perde tempo de ataque para montar uma jogada.

Como desenvolver o contra-ataque

A primeira coisa a fazer é desenvolver os jogadores tecnicamente, a transição ofensiva força muito que os jogadores sejam dotados tecnicamente para poderem criar situações seja através do passe ou do drible, e por último sejam capazes de finalizar. Sem técnica e tática individual na transição ofensiva não se vai a lado nenhum.

De seguida é necessário trabalhar os princípios da transição, ou seja todos os tópicos abordados anteriormente. Portanto, deve-se começar pela definição de quem acelera o jogo, instalação de uma mentalidade ofensiva, da procura do passe em vez do drible, da definição dos papeis dos jogadores na organização e muito mais. Por último, a chave é treinar situações reais de jogo para que os jogadores sejam capazes de tomar as melhores decisões no contra-ataque.

Exercício nº1: Contra Ataque 11

O exercício começa com 3×2 numa tabela, após o jogo de 3×2 quem ganhar o ressalto ataca 3×2 para o lado contrário com quem estava de fora. E o exercício continua neste sentido. Mais adiante deverá ter a seguinte rotação: quem estava a defender ocupa as colunas de fora, quem estava a atacar e não ganhou o ressalto passa a defender. No geral o objetivo principal é finalizar em contra-ataque ser o mais rápido possível.

11 Exercício de Contra Ataque
Gráfico 1
11 Exercício de Contra Ataque
Gráfico 2

Exercício nº2: 33-1

O exercício começa com 3 jogadores a atacar atrás do meio campo e dois jogadores a defender no seu meio campo defensivo. Sendo que duas colunas uma de cada lado no meio campo (equipa A de um lado e equipa B do outro).

O exercício funciona como um jogo 3×3 campo inteiro apenas uma equipa vai estar em inferioridade numérica por um curto espaço de tempo, jogador da equipa que está a defender tem de ir ao meio campo contornar o cone e ir defender.

33-1
Gráfico 1
33-1
Gráfico 2
33-1
Gráfico 3

Exercício nº3: 3×2+1 – 4×3+1 – 5×4+1

1º Gráfico:

O exercício começa com 3 jogadores na linha final que vão atacar para o cesto oposto e 3 jogadores no prolongamento da linha de lance livre que vão defender o cesto oposto, como explicado no gráfico.

O treinador nas costas dos jogadores que vão atacar diz o nº do defensor. Ao apito do treinador, o nº que o treinador indicou toca na linha final e recupera.

2º Gráfico:

O exercício começa com 4 jogadores na linha final que vão atacar para o cesto oposto e 4 jogadores no prolongamento da linha de lance livre que vão defender, como explicado no gráfico.

O treinador nas costas dos jogadores que vão atacar diz o nº do defensor. Ao apito do treinador, o nº que o treinador indicou toca na linha final e recupera.

3º Gráfico:

O exercício começa com 5 jogadores na linha final que vão atacar para o cesto oposto e 5 jogadores no prolongamento da linha de lance livre que vão defender, como explicado no gráfico.

O treinador nas costas dos jogadores que vão atacar diz o nº do defensor. Ao apito do treinador, o nº que o treinador indicou toca na linha final e recupera.

3x2+1; 4x3+1; 5x4+1
Gráfico 1
3x2+1; 4x3+1; 5x4+1
Gráfico 2
3x2+1; 4x3+1; 5x4+1
Gráfico 3

Exercício nº4: Contra-Ataque + 2

O exercício consiste na tomada de decisão em contra-ataque. Parte de uma progressão de 2×1 para 3×2 para 4×3 e para 5×4 acabando num 5×5.

Sempre que a equipa que está a defender recuperar a bola entra 2 jogadores de fora. De forma a que vá atacar sempre com vantagem numérica. O exercício acaba quando a equipa que está a defender o 5×5 recuperar a posse bola ou sofrer cesto.

Os jogadores vão entrando por posições Base – Extremos – Postes.

Quando se repetir o exercício troca se a posse de bola.

Contra-Ataque + 2
Gráfico 1
Contra-Ataque + 2
Gráfico 2
Contra-Ataque + 2
Gráfico 3
Contra-Ataque + 2
Gráfico 4
Contra Ataque + 2
Gráfico 5

Preparado para ter um contra-ataque letal?

Ter um contra-ataque letal não é uma tarefa fácil exige muita coisa e muita aquisição de princípios principalmente uma mentalidade e cultura da equipa. Com isto é importante dizer que mal a equipa recupere a posse de bola só tem de pensar em correr para finalizar o mais rápido possível.

Espero que tenha ajudado a clarificar as ideias para um bom contra-ataque!

Bons treinos, abraço!

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